Pirataria: você anda na prancha ou toma facada?

Março 19, 2008

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O mercado dos games no Brasil não é dos melhores. Impostos altos jogam os preços de jogos e consoles nas alturas, e a pirataria tira grande parte dos lucros das empresas do setor. As coisas parecem começar a melhorar com a chegada de distribuidoras oficiais, lojas especializadas e leis de redução de impostos. Mas a verdade é que, no momento, o Brasil não é um dos principais focos de mercado de games do mundo. E pior, muita gente ainda acha que videogame é “brinquedo de criança”.

Por falta de opção, o gamer brasileiro, que não desiste nunca, é obrigado a botar a cabeça pra funcionar e pensar em outras formas de conseguir seus jogos preferidos. Alguns recorrem à importação através de sites especializados, driblando assim alguns impostos nacionais e pagando mais barato, mas ainda sem violar nenhuma lei. Outros, menos honrados, recorrem a formas ilegais, como o download e a pirataria.

Então, nós, gamers brasileiros, enfrentamos um dilema: esvaziamos os bolsos e agimos dentro da lei, ou economizamos comprando cópias piratas, automaticamente punindo os desenvolvedores e recompensando os criminosos? Se quiser refletir mais um pouco antes de responder, continue lendo…

Na época em que os jogos vinham em fitas, era difícil falsificar em larga escala, sendo que grande parte dos dinheiros envolvidos nas transações acabavam indo aos bolsos certos. Então surgiu o PSOne, que deu uma nova utilidade aos gravadores de CD de muita gente. Não há como negar: muito do sucesso do Playstation no Brasil veio da pirataria.

É realmente tentador pagar mais barato por uma cópia pirata do que comprar um jogo original. Basicamente, o jogo será exatamente o mesmo. É claro, a impressão da capa é de péssima qualidade, não vem com o encarte do jogo, e muitas vezes, o próprio CD tem apenas o nome do jogo escrito com um marcador. E com letra feia, ainda por cima. Mas vale lembrar que o preço chega a ser vinte vezes menor.

Mas, ei, ISSO ESTÁ ERRADO!

Primeiro, pense nos desenvolvedores. Quantas pessoas passaram noites em claro, quebrando a cabeça, imaginando formas de te divertir, imaginando coisas que você gostaria de ser ou de controlar. Pessoas que, certamente, tinham o lucro como objetivo final. Mas se tem alguém que merece seu dinheiro são essas pessoas, e não camelôs, cujo único trabalho foi o de copiar o jogo em seus computadores e botar pra vender na esquina.

Segundo, há o fator emocional. Um jogo é uma experiência que pode ser guardada, colecionada e revivida. Quando você despende seu suado dinheiro em um jogo original, você está, na verdade, comprando uma experiência. Uma experiência que você pode reviver a qualquer momento da sua vida. E é melhor ter um produto de qualidade e dentro de todas as leis de copyright em sua estante do que uma cópia mal-fadada e mal-acabada.

Ok, comprar original é certo, comprar pirata é errado. Mas se você for em qualquer loja, especializada ou não, e perguntar o preço de um jogo original dos videogames de nova geração, esteja preparado para a facada: no mínimo, 150 reais. Quanto é o salário mínimo mesmo?

Se você realmente gosta do tal jogo e vai jogar bastante, até compensa. Uma vez, ouvi uma sábia voz dizer que vale mais a pena você pagar caro por alguma coisa que vai usar muitas vezes, do que barganhar uma coisa que não dá a mínima. Digamos que você pague 250 reais no jogo A, que certamente vai te render horas de diversão até habilitar tudo, além de mais horas e horas de multiplayer com os amigos. E digamos que você compre uma furadeira de impacto 1/2 com maleta VVR por 50 reais, sendo que você não dá a mínima pra ferramentas. É fácil perceber onde o dinheiro foi bem gasto e onde a grana foi pro ralo.

E se você ouviu falar de um jogo que parece legal, mas que com certeza você não vai querer guardar pra mostrar pros filhos e netos? Certamente, não vai querer pagar caro. Muito menos encher os cofres do Capitão Gancho. Por enquanto, a solução é importar pela internet através de cartões internacionais. Com isso, podemos economizar até 100 pratas, sem burlar lei nenhuma.

Isso não é de todo mal, mas nem é de todo bom. O ideal seria termos preços justos em lojas em território brazuca. Sabe, poder ir à loja, conversar com o vendedor e, quem sabe, até fazer um test-drive nos lançamentos. Sem depender de cartões internacionais ou sites gringos. E o melhor de tudo: já sair com o jogo na mão!

Desde já, eu apóio todo e qualquer movimento para baixar os impostos e, consequentemente, baixar os preços de jogos de videogame no Brasil. Eu quero comprar jogos originais em lojas de games, chegar em casa e jogar. E sem sentir um triste vazio nos bolsos.

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2 Comments Add your own

  • 1. Ricardo  |  Agosto 29, 2009 at 9:07 pm

    Desculpe, mas eu acho esse papinho anti-pirataria uma hipocrisia gigantesca. Na prática quer dizer que devemos engordar a já obesa conta bancária de gravadoras e empresas desenvolvedoras de conteúdo, com o nosso suado trabalho, por que “é o certo” ? Balela… Até concordo que quem desenvolve algo, merece ser recompensado pelo trabalho, desde que fossem valores justos. Mas nesse mundo corporativo, impera a ganância. O custo real de fabricação de um CD original de música, por exemplo, é menos de um real, mas eles são vendidos a 40, 50 reais, pra alimentar a ganância de artistas e gravadoras… uma safadeza sem tamanho. Em contrapartida, a maioria dos”piratas malvados” que vendem o mesmo CD a 5 reais na esquina, só está tentando ganhar o pão trabalhando. Poderia estar roubando à mão armada, tirando vidas com violência… mas não, está tentando viver do comercio, ainda que um comércio inadequado. Cada camelô a mais vendendo CDs piratas é um bandido armado a menos pra cometer assassinatos. É com isso que as autoridades deveriam se preocupar, e não com a defesa dos interesses gananciosos das grandes gravadoras e empresas de conteúdo em geral. Por isso essa de “só compre original” é uma hipocrisia deslavada, na minha opinião.

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  • 2. Ronaldo  |  Agosto 31, 2009 at 12:36 am

    A real é que o preço no Brasil é abusivo por causa dos impostos. Lá fora, o preço é justo. Não é “ganância” de quem faz, é querer ter o trabalho recompensado. Imagina vc trampar o mês inteiro e não receber nada, enquanto o camarada do seu lado copia seu trabalho e leva toda a grana?

    Pirataria é crime. Quem vende CD pirata devia procurar um emprego digno. Isso de “poderia estar roubando ou matando” não é desculpa. Tem muita gente que trabalha honestamente, sem cometer crime nenhum, seja matando ou vendendo porcaria ilegal.

    E outra, se vc é a favor da pirataria, por favor, não se considere um gamer. Vc não ajuda em nada a indústria, então se a sequência do seu jogo preferido não sair, ou se só sair jogo ruim, vc não tem o menor direito de reclamar. Se dependesse de vc, a indústria de games nem existiria.

    “Não matar nem roubar” não é mérito nenhum, não passa de obrigação. Aliás, honestidade tb, coisa que pirata não conhece.

    Responder

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