Amor e ódio

Maio 22, 2008

Vergonhoso, mas preciso confessar uma coisa. Às vezes, tenho alguns acessos de fúria frente à TV, exatamente como os malucos do vídeo acima. Tá, eu não chego ao extremo de destruir controles ou consoles, mas vez ou outra xingo Deus e o mundo em voz alta, e esmurro algumas coisas. Pode ser uma almofada, o sofá, ou se o nível de frustração estiver alto, pode ser até a parede. Até o presente momento, não atingi nenhum ser vivo. Ainda.

A julgar pelo vídeo acima, não sou o único que perde a cabeça jogando videogame. Olhando de fora, esses ataques de histeria são engraçados. A pessoa perde o controle, xinga e grita para a televisãoum objeto inanimado que não tem culpa nenhuma sobre a frustração do jogador, e que certamente não está ciente do chilique. É ridículo, sim, mas também inevitável para muitas pessoas. Pessoas como eu, por exemplo.

Se você costuma ter esses ataques de fúria, continue lendo, pode ser que você se identifique com o texto. Se não, continue lendo, você pode dar umas risadas às custas da frustração dos outros!

Pode parecer um paradoxo, mas por mais que o jogador se enfureça, ele sempre volta a jogar o game que provoca seus ataques de nervosismo. Apenas jogos que gostamos muito têm o poder de provocar tanta ira. É uma verdadeira relação de amor e ódio com nossos jogos favoritos. Jogos frustrantes desde o início, aqueles que simplesmente não nos agradam, são encostados logo de cara, muito antes de provocar qualquer tipo de emoção.

Existem muitos motivos que levam um jogador a ficar frustrado em relação a um jogo de videogame. O mais comum é o fator competição. Ninguém gosta de perder. Sobretudo aqueles que são maus-vencedores, aquele tipo de cara que, além de vencer, tem que humilhar o adversário derrotado. O orgulho faz com que esse tipo de jogador enxergue a si mesmo como o melhor, o invencível, sendo que é humilhante que algum competidor com menos talento o derrote. Pior, ser vencido é impossível. Tem que ter algo de errado. Sim, TEM ALGUMA COISA ERRADA COM ESSE JOGO. Só pode ser.

Aí é que o orgulho entra em cena novamente, mas dessa vez, como mocinho da história. Se somos tão bons em tal jogo, é porque praticamos, ou seja, passamos boas horas jogando o maldito jogo. E se jogamos tanto assim, é porque gostamos! Além disso, a derrota de outrora foi um golpe de sorte do adversário. Da próxima vez, a justiça será feita, e sairemos triunfantes, com o sorriso de um campeão estampado no rosto e a honra lavada!

Particularmente, me irrita muito ser derrotado, mas apenas em algumas situações. Pra ser mais exato, em situações onde o fator sorte está envolvido. A seguir, três exemplos de coisas que me irritam e que não me irritam:

Winning Eleven/Pro Evolution Soccer: nesse jogo de futebol, você controla um jogador por vez, sendo que a movimentação dos outros dez jogadores, assim como a dos jogadores do time adversário e da própria bola, depende da inteligência artificial do jogo. Muitas vezes, os jogadores do meu time movimentam-se como se fizessem questão de perder o jogo, arruinando ações de ataque e enfraquecendo a defesa. E não há nada que possa ser feito.

Smash Bros. Brawl: acontece mais quando jogo com lutadores controlados “pela máquina”. Várias vezes, eles parecem favorecer um jogador específico, fornecendo mortes fáceis, perseguindo certo jogador (eu, é claro!) e atrapalhando de um modo geral.

The King of Fighters: sou um jogador mediano. Venço fácil novatos, mas apanho feio de veteranos. Mas esse é um jogo 1 contra 1, mano a mano. Não há interferências externas, tudo depende da habilidade dos jogadores. Se você perdeu, você é pior. Não há o que discutir.

São três exemplos, com três dos meus jogos favoritos. Pode parecer o contrário, mas KoF é o que menos jogo atualmente, apesar de ser o único que não me deixa nervoso em momento algum. Não é o que eu gosto menos, mas é justamente esse fator sorte que torna os outros dois mais amigáveis, tornando-os mais fáceis de jogar, logo mais populares.

Posso contar nos dedos de uma mão só os jogos que nunca me deixaram irritado. Mas seriam necessários os dedos de muitas pessoas pra contar os jogos com os quais me diverti. Ficar frustrado com um jogo de videogame é normal, e cada um demonstra isso de uma forma diferente, e com uma intensidade diferente. Só devemos nos lembrar que é apenas um jogo, e o objetivo principal de um jogo é divertir.

E que pode haver alguém gravando a cena, e podemos passar vergonha depois.

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3 Comments Add your own

  • 1. Coelho Cido  |  Junho 2, 2008 at 1:41 am

    Uehara, você tem algum e-mail para que possa enviar uma proposta para você?
    Responda no blog NoReset!
    Abraz

    Responder
  • 2. Uehara  |  Junho 2, 2008 at 5:26 am

    Agora, se alguém quiser entrar em contato, temos um link, err, “Contato”!

    Antes não tinha. E eu não tinha percebido. Valeu pelo lembrete, Coelho!

    Responder
  • 3. Pablo Raphael  |  Junho 3, 2008 at 4:16 pm

    Não tenho acessos de raiva. No máximo mostro o dedo do meio pra tela da tevê e xingo o maldito boss apelão safado.

    Mesmo quando quem esqueceu de tomar um Potion no meio da batalha fui eu.

    Responder

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