Videogame como mídia
Junho 18, 2008

Contar histórias é uma forma muito antiga de entretenimento. Uma boa história, seja fictícia ou verídica, pode passar vários tipos de sentimentos, pode inspirar as pessoas, pode passar lições de vida, ou pode simplesmente divertir.
No decorrer da história, o homem criou muitas formas de se contar histórias. Desde a antigüidade, homens-das-cavernas se sentavam ao redor de uma fogueira para ouvir as histórias dos velhos sábios. Quando a escrita foi inventada, surgiram os livros. Com o rádio, surgiram as telenovelas. O cinema e a TV vieram com força, sendo as formas mais populares de se contar uma história até hoje.
E, mais recentemente, vieram os videogames. Primeiro, como simples diversão descompromissada. Mais tarde, as histórias foram surgindo aos poucos, ganhando cada vez mais importância. Hoje, temos séries como Final Fantasy e Metal Gear, com suas horas de CG e suas histórias épicas.
Se o cinema é a sétima arte, podemos considerar o videogame como a oitava? Continue lendo e confira uma análise dos videogames não apenas como forma de entretenimento, mas como forma de contar uma boa história.
Cada nova mídia, cada nova forma de se contar uma história, adicionou algum recurso ao entretenimento. A escrita permitiu que a história fosse guardada para ser contada mais tarde. O rádio incluiu o som, a fala, a música e os efeitos sonoros. A TV e o cinema incluiram imagens em movimento. E, por último, o videogame incluiu a interatividade.
Mas até que ponto a interatividade é uma qualidade no ato de se contar uma história? Ou ainda, no ato de se ver e ouvir uma história?
O videogame é a forma mais completa de todas as mídias, pois coloca o jogador no papel do protagonista. É você, com o controle nas mãos, quem vivencia a história. O sucesso ou fracasso do protagonista depende de você, de sua habilidade, de sua perseverança. E é aí que o videogame se diferencia do cinema, e onde perde terreno também.
O videogame exige muito mais das pessoas do que um filme ou um seriado. A interatividade oferecida pelo videogame cobra um preço alto, financeiramente falando. Além do console, são necessários controles, os jogos e um aparelho de TV, no mínimo. Já pegar um cinema ou assistir um filme na TV requer muito menos dinheiros.
Outro fator que afasta as massas dos videogames é o tempo. Um filme, quando muito, leva 2 ou 3 horas pra contar uma história, enquanto que um jogo, por mais curto que seja, leva em média umas 10 horas, isso quando não estamos falando daqueles RPGs gigantes de 60, 80 ou até 100 horas.
E, por último, o maior “ponto fraco” do videogame em relação às formas mais tradicionais de entretenimento é justamente a interatividade. Esse é o recurso que torna o videogame diferente, mas que afasta a maioria das pessoas das grandes histórias contadas em jogos de videogame. Como foi dito no começo do post, o sucesso ou fracasso do protagonista depende da habilidade e perseverança do jogador. E a maioria das pessoas não tem a habilidade necessária pra se zerar um jogo. Ou a paciência necessária pra desenvolver tal habilidade.
Habilidade no controle é uma característica que define um gamer hardcore. Aquele tipo de pessoa como você e eu. O tipo de pessoa que joga desde a infância, que tem facilidade de se adaptar à mecânica da maioria dos jogos. O tipo de pessoa que gosta de jogar videogame. Ser gamer não torna ninguém uma pessoa melhor. O que acontece é que a maior parte da população mundial não é gamer. E, pra essa maior parcela da população, é muito mais cômodo, muito mais relaxante, muito mais confortável sentar-se em suas poltronas e assistir o protagonista salvar o mundo, ao invés de assumir o controle e fazê-lo por si mesmos.
Videogames são formas diferentes de mídia, que contam com o recurso da interatividade. Grandes histórias não seriam as mesmas sem essa interatividade. No controle dos protagonistas, podemos ser, não apenas assistir. Mas também é verdade que, nem sempre, é preciso interagir com a história. Da mesma forma que já tivemos grandes épicos nos videogames, os livros e o cinema já nos deram inúmeras grandes histórias.
Interatividade é apenas uma ferramenta, um recurso que pode ou não ser empregado para se contar uma boa história. Usá-la ou não depende da visão dos roteiristas, diretores e produtores. Com tudo isso que foi dito, só posso concluir de uma forma. Se o cinema é a sétima arte, o videogame é, sim, a oitava.
Videogame é arte. Ponto.
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