A devida importância dos gráficos
Setembro 19, 2008

Desde os primórdios do videogame, existem os reviews, as análises de gente que jogou determinado jogo e diz se vale a pena ou não a compra. Essa análise é baseada em fatores que compõem todos os jogos, como jogabilidade, diversão, fator replay e, é claro, gráficos. Os gráficos são parte importante da obra, a primeira coisa que a gente vê sobre o jogo, o que chama mais atenção à primeira vista.
Em meio à inteligência artificial e sistemas avançados de física realista, talvez o aspecto da tecnologia gamística que mais tenha evoluído são os gráficos. Muito mudou desde Pong, passando pelos mundos 2D, a chegada dos gráficos 3D e, enfim, a alta definição.
Hoje em dia, muita gente torce o nariz pra jogos que não possuem gráficos hiper-realistas, ou que não são lançados em alta definição. Mas será que é tão necessário assim enxergar até as espinhas, rugas e imperfeições da face dos personagens?
Bem… Sim e não. Depende. Continue lendo que eu explico melhor.
A resposta certa é: depende do jogo.
Os gráficos fazem parte da obra toda. Servem pra contar a história e divertir, atuando em conjunto com diversos outros fatores, como o carisma dos personagens, trilha sonora, jogabilidade e tudo mais. Por mais bonitos que sejam, apenas belos gráficos não garantem a qualidade do jogo. Assim como a falta de belas imagens em alta definição também não compromete o conjunto da obra.
No passado, não existia a assim chamada alta definição de hoje em dia. Mesmo assim, grandes jogos entraram pra história. Jogos que, se jogados hoje em dia, ainda divertem e emocionam. Mesmo nos dias de hoje, quando muitos jogos são tão realistas que o espectador desavisado pode passar na frente da TV e pensar estar assistindo a um filme, clássicos como Super Mario, Resident Evil 1 e Shadow of the Colossus divertem, isso sem contar com gráficos de última geração.

Eu não quero dizer que a alta definição é ruim. É um recurso poderoso, que contribui bastante na imersão. Além disso, belas imagens em movimento contribuem ainda mais pra reforçar os jogos como forma de arte. O que eu quero dizer é que há jogos em que belos gráficos são importantes, e há jogos em que os gráficos ficam em segundo plano.
No caso de jogos cinematográficos, o uso de gráficos em alta definição hoje em dia é indispensável. Jogos sérios, que buscam certo grau de realismo. Não dá pra imaginar Bioshock ou Metal Gear Solid 4 sem gráficos de última geração. Em outros casos, mesmo quando não há necessidade de realismo, a alta definição contribui com a experiência tornando o jogo simplesmente mais bonito de se ver. É o que acontece com Sonic Unleashed e os gráficos 2D em alta definição de The King of Fighters XII.
Há também o fator necessidade. Todo jogo realmente precisa ter gráficos poderosos? Eu não vejo a menor necessidade de gráficos ultra-realistas em um jogo de futebol, por exemplo. Não quero ver cabelos esvoaçantes ou homens suados, eu quero ver é bola na rede!
E existe também o caminho inverso. Jogos em que a arte está justamente em seus gráficos estilizados, muito longe da alta definição. Jogos como Okami, No More Heroes, o promissor Madworld e o ousado Megaman 9. São jogos que não precisam de realismo, não precisam de gráficos melhores do que têm. A alta definição estragaria a própria personalidade desses jogos.

Como eu disse no início do post, gráficos fazem parte de um todo. A alta definição é uma ferramenta, não uma prisão que obriga que todo jogo deve usar gráficos ultra-realistas. Depende da narrativa, do que o autor quer passar para o jogador, os sentimentos a serem transmitidos, a temática do jogo, enfim, depende de uma série de fatores.
A arte se mostra de muitas formas. A alta definição é apenas uma delas.
Entry Filed under: Arte, PS3, Papo Cabeça, Xbox 360. Tags: Alta Definição, Arte, Bioshock, Gráficos, Imersão, Madworld, Megaman, MGS, No More Heroes, Okami, PS3, Xbox 360.
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1.
bebska | Outubro 1, 2008 at 7:41 am
Você “falou e disse”, Uê!
(Ah, aqui é a Rebeca! Bebska é meu nick do wordpress.)
Principalmente na parte dos games conceituais. Um bom exemplo pra mim é o Zelda: Wind Waker. Muita gente torceu o nariz ao ver o Link “desfigurado” daquele jeito. Mas a idéia era justamente criar um game alternativo dentro da série, estilizado. Pra mim foram muito felizes nesta empreitada! Achei que ficou tão cheio de personalidade. =)
E você comentou do Resident Evil 1… por incrível que pareça eu gosto dele com os gráficos quadradões do PS1! Quando saiu a versão com gráficos melhorados, não teve a mesma graça pra mim, acredita?! heheh
2.
Uehara | Outubro 1, 2008 at 7:32 pm
Fala, menina! Que nick, hein? Se você não avisasse, eu nunca ia descobrir!
Você pegou bem o termo que eu tava buscando, “games conceituais”. Tem muito jogo que não seria a mesma coisa sem um cel-shadding, sem um estilo diferente, sem parecer realista. Às vezes, ser “feio” faz parte da arte do jogo, como o Megaman 9 que eu citei no post.
E a gente tem um lado saudosista que se acostumou com os gráficos da época também, como no seu caso do Resident Evil. Remakes, às vezes, até perdem a graça por causa do saudosismo que é ter gráficos quadradões…
3.
bebska | Outubro 2, 2008 at 2:24 am
Pior que eu nem gosto desse nick! Mas é que meu apelido de verdade, Bebs, não tinha disponível. =(
E sou meio saudosista com os games mesmo… acabo apegada à primeira experiência que tive com determinado jogo. Aconteceu com Metal Gear Solid 1 também. Achei que ficou sem graça com os gráficos melhorados do remake que fizeram pro GameCube. Pq os originais, apesar de quadradões, foram trabalhados de uma forma que deu personalidade. =)
4.
Cesar Martins | Outubro 14, 2008 at 11:26 pm
Eu também acho que depende. Os jogos que mais me divertiram nos últimos tempos não são providos de gráficos tão bons: Pokémon D/P, Ouendan, até Brain Age me fez dar umas rizadas quando meu irmão ficava duas horas pensando para descobrir quanto é 9+7. =D
Tô com lombriga pra jogar KoF XII, mas quanto ao Megaman 9 prefiro não me manifestar porque ainda não joguei. xD
5.
Wesley Pires | Outubro 17, 2008 at 7:57 pm
Concordo com a matéria. Apesar de ter um ps2 em casa, atualmente estou jogando os jogos de psx que marcaram para mim, como Resident Evil, ou jogos que não pude jogar, mas que agora posso, como Metal Gear Solid. Para ver que o grafico ajuda, mas existem outros fatores para tornar o jogo atrativo.
6.
carlos | Outubro 23, 2008 at 10:53 am
nao é da ora
7.
amanda | Novembro 1, 2008 at 11:52 am
voces nao sabe de nada vai cagar
8.
amanda | Novembro 1, 2008 at 11:53 am
nao
9.
Fernando Lorenzon | Novembro 1, 2008 at 7:47 pm
O que não entendo é como os viciados em gráficos conseguiam se divertir há 10-15 anos atrás.
Provavelmente eles não achavam o Super Nes e o Mega Drive ruins. Ou estavam esperando ansiosos até o lançamento desta geração de jogos para poderem jogar pela primeira vez. Imagino o papai oferecendo um Super Nes de presente para seus filhinhos e eles dizendo assim: “Papai, eu só vou jogar daqui 10 anos, quando os jogos forem em 3D e em HD.”
10.
mvanuci | Janeiro 5, 2009 at 10:55 pm
Realmente, gráficos hoje ditam grande parte do mercado, mas isso pode tomar, pois, nem todo jogo em alta definição possui conteúdo.
Afinal, se fossem só gráficos, jogos de nes não seriam vendidos ainda hoje no virtual console.