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Violência: nos filmes, pode. Nos videogames, não.

Lá está você, na sala de cinema, última sessão do dia. Um filme de ação, suspense ou terror, que seja. No clímax do filme, você ouve um choro. Não há ninguém chorando no filme. O irritante barulho não vem do sistema de som da sala de cinema, mas sim de uma das cadeiras lá na frente. Após proferir algumas palavras mal-educadas em voz baixa, você se dá conta de que é um bebê chorando. Um bebê em um filme com classificação 16 anos.
Aconteceu com minha irmã esses dias. O filme era Os Reis da Rua. Irritada com os persistentes choros, berros e esperneios do infante, além da incapacidade dos pais em acalmar a criança, ela recorre a um dos funcionários do cinema. Antes de tudo, ela pergunta como uma criança pode ter entrado em um filme com classificação 16 anos. Segundo o gerente do cinema, há uma lei nacional que permite a entrada de crianças em qualquer seção, desde que devidamente acompanhada pelos pais.
Nada mais justo. Ninguém melhor que os pais pra dizer o que os filhos podem ou não podem ver. Com essa lei, crianças podem curtir a fúria de Rambo IV, a sangüinolência de Jogos Mortais e o vocabulário extenso de Tropa de Elite sem se preocupar com censura.
Agora, por que o mesmo não acontece com os videogames?!
Videogames são mais imorais do que filmes? Mais violentos? Filmes são mais educativos do que videogames? Counter Strike é mais violento do que Cidade de Deus? A novela das oito é tão melhor assim que Everquest? Manhunt tem muito mais sangue do que O Massacre da Serra Elétrica? E GTA desvirtua mais valores do que Os Reis da Rua?
O assunto gera muita discussão, e o tema será abordado mais vezes aqui no Detonando, com certeza. Por ora, eu só quero dizer que fiquei até feliz em saber dessa lei do cinema. E quero dizer também que HIPOCRISIA não leva a lugar nenhum.
2 comments Abril 30, 2008